Assim como um texto anterior, escrito e publicado em momento de profunda tristeza há alguns meses, esse não é mais um texto de moda. Embora a São Paulo Fashion Week abra sua passarela na próxima segunda-feira e uma exposição que há mais de um ano enlouquece o mundo fashion - que reverencia a little black jacket da Chanel - desembarque no Brasil também nos próximos dias, aqui não há palavra para elas. Esse texto não é mais um texto de moda, mas sim sobre o lento despertar de uma dor funda, o vagaroso preenchimento de um buraco no peito. A dura luta que é esquecer um amor. Esse texto é sobre a estranheza com que se percebe um riso fora de hora, a surpresa com que se nota a vontade de comprar uma roupa nova. É um texto sobre o alívio que dá ao voltar a ler um livro sem que a cada página seja preciso parar e retomar o pensamento, perdido na revisão inútil de um momento, discussão ou culpa daquelas pesadas que se carrega às vezes. É um texto sobre a necessidade de viajar e voltar: ser feliz como turista ou longe de lembranças me parece mais fácil (não fácil), a cura geográfica pode até existir, mas eu, sinceramente, não acredito em sua duração. É um texto sobre estar de chinelos, com os cabelos molhados e sem maquiagem e ter uma noite incrível em um lugar onde todo mundo parece saído de um anúncio da "Vogue". É um texto sobre aprender a lidar com fiapos de pensamentos que te reconectam à tristeza na hora. Um texto sobre parar, reprogramar e mudar a rota, porque já se sabe que não há nada ali que possa ou deva te interessar. Esse não é mais um texto de moda, mas sim sobre recuperar uma parte perdida. Um texto sobre deixar de lado julgamentos pesados sobre si mesmo. Um texto sobre a vontade de apagar o momento em que inconsequentemente alguém te disse que você não valia a pena. Finalmente, um texto sobre a certeza de que a gente sempre vale a pena, independentemente de quem tenha dito o contrário.
sábado, 26 de outubro de 2013
Pensamento fashion da Riachuelo
Já tem data: ocorre no dia 27 de novembro, na esquina da Oscar Freire com a Haddock Lobo, em São Paulo, a abertura da Riachuelo nos Jardins. Além de ser a primeira loja no bairro, terá em seus cabides coleções criadas por nomes que vão de Adriana Degreas a Claudia Leitte. Vale anotar: preços a partir de R$ 29,90. "É uma jogada ousada, maciça e eclética", Flávio Rocha, CEO da loja
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Os clássicos também sofrem
Há algum tempo li uma reportagem, não vou me lembrar onde, em que o jornalista contava a saga que havia se tornado conseguir o que parece ser uma das coisas mais simples do mundo: pedir e beber uma Coca Cola em um bar ou restaurante. A ideia do texto era muito boa e queria provar que hoje em dia a bebida pode chegar de mil formas à mesa, menos da maneira tradicional, apenas ela, no copo. Na matéria, ele contava que o "uma Coca, por favor" era agora interpretado na maior parte das vezes como uma "Coca com gelo e limão, por favor" ou "uma Coca com muito gelo" ou quem sabe ainda "uma Coca Zero com gelo e limão". A Coca, básica, apenas gelada, e em um copo de vidro, bom, essa se tornou mais rara. Só com muito pedido antes. E assim, de uma hora para outra, ficou complicado ter apenas a bebida, alegrinha e cheia de borbulhas, pura, em sua mesa.
Lembrei dessa história ao ir comprar um par de Havaianas. Os chinelos, que encarnavam o que mais despretencioso havia no mundo da moda (se é que eles estavam nesse mundo), ficaram hype e frutas, personagens, desenhos de todos os estilos passaram a estampar seus corpos emborrachados. Estilistas assinam estampas, pedrinhas e penduricalhos mil passaram a fazer parte do que a Havaianas é hoje. Entrei em uma loja querendo o modelo básico, de um cor só. Fiquei minutos em busca dele, mas nada. Mais fácil achar um com o meu rosto desenhado do que um assim, simples e bonito (e mais barato). Quando finalmente encontrei, me vem o vendedor: "se você comprar mais um, ganha um pingente grátis". Dei graças a Deus por só precisar de um mesmo. É, não está fácil para ninguém, muito menos para as versões clássicas dos clássicos. Seja ele uma boa e velha Coca ou um confortável par de Havaianas.
Lembrei dessa história ao ir comprar um par de Havaianas. Os chinelos, que encarnavam o que mais despretencioso havia no mundo da moda (se é que eles estavam nesse mundo), ficaram hype e frutas, personagens, desenhos de todos os estilos passaram a estampar seus corpos emborrachados. Estilistas assinam estampas, pedrinhas e penduricalhos mil passaram a fazer parte do que a Havaianas é hoje. Entrei em uma loja querendo o modelo básico, de um cor só. Fiquei minutos em busca dele, mas nada. Mais fácil achar um com o meu rosto desenhado do que um assim, simples e bonito (e mais barato). Quando finalmente encontrei, me vem o vendedor: "se você comprar mais um, ganha um pingente grátis". Dei graças a Deus por só precisar de um mesmo. É, não está fácil para ninguém, muito menos para as versões clássicas dos clássicos. Seja ele uma boa e velha Coca ou um confortável par de Havaianas.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
Pensamento fashion de Manolo Blahnik
"Eu nunca estive interessado em moda. Eu faço moda, sim. Mas vamos dizer que eu não a sigo", na "Vanity Fair" deste mês.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
sábado, 24 de agosto de 2013
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